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PRESSÃO NO CORPO HUMANO

 A pressão é um fenômeno muito comum nas nossas vidas. O meteorologista dá-nos a pressão atmosférica, o frentista do posto de combustível e de serviços mecânicos confere a pressão dos nossos pneus, o doutor mede nossa pressão sangüínea como parte do exame físico.

Pressão é definida como a força por unidade de área num gás ou num líquido. Para um sólido a quantidade de força por unidade de área é referida como tensão (stress). Você provavelmente sabe que a pressão atmosférica é cerca de 105 N/m2 e que a pressão num pneu de bicicleta pode ser tão alta quanto 90 lb/in2 (= 6,12 atm). No sistema métrico a pressão é medida em newtons por metros quadrados; que é a unidade do S.I. também chamada pascal (Pa). Nenhuma destas unidades é de uso comum na medicina. O método mais comum de indicar a pressão na medicina é pela altura de uma coluna de mercúrio (Hg). Por exemplo, um pico de pressão sangüínea (sistólica) lida como 120 mmHg indica que uma coluna de mercúrio desta altura tem uma pressão na sua base igual a pressão sangüínea sistólica do paciente. A pressão atmosférica é cerca de ou 760 mmHg ( = 30 in.Hg). A Tabela 6.1 lista algumas das unidades comuns usadas para medir pressão e dá a pressão atmosférica em cada sistema.

A pressão P sob uma coluna de líquido pode ser calculada por P = r g h, onde r é a densidade do líquido, g é a aceleração devido a gravidade, e h é a altura da coluna. Desde que a densidade do mercúrio é 13,6 g/cm3, uma coluna de água tem que ser 13,6 vezes maior que uma dada coluna de mercúrio a fim de produzir a mesma pressão. É algumas vezes conveniente indicar diferenças de pressão no corpo em termos da altura de uma coluna de água (ver Exemplo 6.1).

Tabela 6.1. Algumas das Unidades Comuns Usadas para Medir Pressão

 

Atmosferas

N/m2

cm H2O

mm Hg

lb/in.2 (psi)

1 atmosfera

1

1,01 x 105

1033

760

14,7

1 N/m2

0,987 x 10-5

1

0,0102

0,0075

0,145 x 10-3

1 cm H2O

9,68 x 10-4

98,1

1

0,735

0,014

1 mm Hg

0,00132

133

1,36

1

0,0193

1 lb/in2. (psi)

0,0680

6895

70,3

51,7

1

Exemplo 6.1

Que altura de água produzirá a mesma pressão que 120 mmHg?

P = r g h = (13.6 g/cm3) (980 cm/s2) (12 cm) = 1.6 105 dinas/cm2

Para a água 1,6 105 dinas/cm2 = (1,0 g/cm3) (980 cm/s2)

h = 163 cm de H2O.

A altura da água pode ser obtida multiplicando a altura do mercúrio por 13,6

 Desde que vivemos num mar de ar com uma pressão de 1 atm, é mais fácil medir a pressão relativa à pressão atmosférica do que medir a verdadeira pressão, ou pressão absoluta. Por exemplo, se a pressão num pneu de bicicleta é de 60 lib/in2. ( = 4,08 atm), a pressão absoluta é 60 + 14,7, ou aproximadamente 75 lb/in2 (5,1 atm). A pressão 60 lb/in2 ( = 4,08 atm) é a "pressão manométrica". A menos que falemos em contrário, todas as pressões usadas neste capítulo são pressões manométrica.

Existem vários lugares no corpo onde as pressões são mais baixas do que a atmosférica, ou negativa. Por exemplo, quando inspiramos a pressão nos pulmões deve ser um pouco menor que a pressão atmosférica senão o ar não fluiria para dentro do corpo. A pressão nos pulmões durante a inspiração é tipicamente uns poucos centímetros negativos de água. Quando uma pessoa bebe através de um canudo, a pressão na sua boca deve ser negativa por uma quantidade igual a altura da sua boca acima do nível do líquido que ela está bebendo. Outros exemplos de pressão negativa serão discutidos no Apêndice 1, quando consideraremos a física dos pulmões e da respiração.

A tabela 6.2 lista algumas pressões típicas no corpo. O coração atua como uma bomba, produzindo pressão bastante alta (~ 100 a 140 mmHg) para forçar o sangue através das artérias. O sangue venoso que retorna está a uma pressão um pouco mais baixa e, de fato, precisa ajudar a ir das pernas ao coração. O fracasso neste sistema de retorno das pernas freqüentemente resulta nas veias varicosas. A pressão no sistema circulatório é discutida em detalhes no Apêndice 2, e a pressão nos pulmões é discutida no Apêndice 1.

Tabela 6.2 Pressões Típicas no Corpo Normal

 

Pressões Típicas (mm Hg)

Pressão sangüínea arterial

 

Máxima (sístole)

100 - 140

Mínima (diástole)

60 - 90

Pressão sangüínea venosa

3 - 7

Grandes veias

< 1

Pressão sangüínea capilar

 

Final de Artéria

30

Final de veia

10

Pressão no ouvido médio

< 1

Pressão no olho – humor aquoso

20

Pressão do fluido cerebrospinal no cérebro (lying down)

5 -12

Pressão gastrointestinal

10 - 20

Pressão intratorácica (entre os pulmões e as paredes do peito)

- 10

Neste capítulo discutiremos alguns outros sistemas de pressão do corpo e a terapia com pressão alta (hiperbárica) de oxigênio.

6.1 MEDIDAS DA PRESSÃO NO CORPO

O método clássico de medir pressão é determinar a altura de uma coluna de líquido que produz a pressão igual a pressão que está sendo medida. Na seção 8.4 descreveremos como Rev. Hales mediu a pressão sangüínea de um cavalo observando quão alta uma coluna de sangue de uma artéria subiria num tubo de vidro.

Um instrumento que mede pressão por este método é chamado manômetro. Um tipo comum de manômetro é um tubo de forma de U contendo um fluido que está conectado à pressão a ser medida (Figura 6.1). Os níveis nos braços variam até que a diferença nos níveis sejam iguais à pressão. Este tipo de manômetro pode medir pressões positivas e negativas. O fluido usado é geralmente o mercúrio, mas a água ou outros fluidos de baixa densidade pode ser usado quando a pressão a ser medida é relativamente pequena.

O instrumento clínico mais comum usado para medir pressão é o esfigmomanômetro, que mede a pressão sangüínea. Dois tipos de pressão manométrica (gauge) são usadas no esfigmomanômetro. Num manômetro do tipo mercúrio a pressão é indicada pela altura de uma coluna de mercúrio dentro de um tubo de vidro. Num tipo aneróide a pressão varia a forma de um recipiente flexível selado, que faz uma agulha mover-se num dial.

 

Algumas partes do corpo podem atuar como indicadores grosseiros de pressão. Por exemplo, uma pessoa indo para cima e para baixo num elevador ou avião freqüentemente percebe uma variação na pressão atmosférica nos ouvidos. Quando engolimos, a pressão no ouvido médio se iguala a pressão externa e o tímpano "estala". É necessário para os ouvidos serem muito sensíveis à pressão desde que as variações de pressão numa onda sonora ordinária são extremamente pequenas (ver Exemplo 12.1) Um outro indicador qualitativo de pressão é o tamanho das veias na parte de trás das mãos. Quando uma mão é levantada um pouco acima do nível do coração estas veias tornam-se menores devido ao abaixamento da pressão sangüínea venosa (ver Apêndice 2, pg. 164)

6.2 – PRESSÃO DENTRO DO CRÂNIO

O cérebro contém aproximadamente 150 cm3 de fluido cerebrospinal (FCS) numa série de aberturas interconectadas chamadas ventrículos (Fig 6.2). O fluido cerebrospinal é gerado dentro do cérebro e flui através dos ventrículos para o interior da coluna espinhal e eventualmente para o interior do sistema circulatório. Um dos ventrículos, o aqueduto, é especialmente estreito. Se ao nascer esta abertura está fechada por qualquer razão, o FCS é preso no interior do crânio e aumenta a pressão interna. O aumento de pressão faz o crânio aumentar. Esta séria condição, chamada hidrocefalia (literalmente, cabeça-d’água), é um problema moderadamente comum na infância. Entretanto, se a condição é detectada bem cedo, ela pode ser freqüentemente corrigida cirurgicamente instalando um sistema de drenagem de desvio para o FCS.

 

Não é conveniente medir a pressão FCS diretamente. Um método muito grosseiro de detectar hidrocefalia é medir a circunferência do crânio logo acima das orelhas. Valores normais para crianças recém-nascidas são de 32 a 37 cm, e um valor maior pode indicar hidrocefalia. Um outro método qualitativo de detecção, a transiluminação, faz uso das propriedades de espalhamento de luz do FCS bem claro dentro do crânio. A transiluminação é discutida com mais detalhes na Seção 14.2 .

6.3 PRESSÃO DO OLHO

Os fluidos claros no globo ocular ( o humor aquoso e vítreo) que transmitem a luz para a retina (a parte do olho sensível à luz ), estão sob pressão e mantém o globo ocular com uma forma e tamanho fixos. As dimensões do olho são críticas para uma boa visão – uma variação de somente 0.1 mm no seu diâmetro tem um efeito significativo na claridade da visão. Se você pressiona o seu próprio olho com seu dedo você notará a resistência do olho devido a pressão interna. A pressão no olho normal varia de 12 a 23 mm Hg.

O fluido na parte da frente do olho, o humor aquoso, é praticamente água. O olho produz continuamente humor aquoso e um sistema de drenagem permite o excesso escapar. Se um bloqueio parcial deste sistema de drenagem ocorre, a pressão cresce e a pressão aumentada pode restringir o suprimento sangüíneo para a retina e isto afeta a visão. Esta condição, chamada glaucoma, produz uma visão de túnel nos casos moderados e cegueira nos casos severos.

Os médicos antigamente estimavam a pressão dentro do olho pelo "sentido" quando eles pressionavam o olho com seus dedos. Agora a pressão no olho é medida com vários instrumentos diferentes, chamados tonômetros, que medem a quantidade de indentação produzida por uma força conhecida. Os tonômetros correntemente usados estão descritos em detalhes no Capítulo 15. Os tonômetros são algumas vezes calibrados em unidades arbitrárias melhor do que em milímetros de mercúrio

6.4 PRESSÃO NO SISTEMA DIGESTIVO

O corpo tem uma abertura através dele. Esta abertura, o tracto digestivo, é bem tortuosa; ela se estende mais de 6 m da boca até o ânus. A maioria do tempo está fechada na extremidade inferior e tem vária outras restrições. A Figura 6.3 mostra esquematicamente as válvulas e esfíncteres (músculos circulares) do tracto digestivo, que se abre para a passagem da comida, bebida e seus subprodutos. As válvulas são projetadas para permitirem um fluxo unidirecional da comida. Com algum esforço é possível reverter o fluxo, tal como durante o vômito (náusea).

 

A pressão é maior que a atmosférica na maioria do sistema gastrointestinal (GI). Entretanto, no esôfago, a pressão está acoplada à pressão entre os pulmões e a parede do peito (pressão intratorácica) e é usualmente menor que a atmosfera. A pressão intratorácica é algumas vezes determinada medindo-se a pressão no esôfago.

Durante a alimentação a pressão no estômago aumenta quando as paredes do estômago são esticadas. Entretanto, desde que o volume aumenta com o cubo do raio (R3) enquanto a tensão (força de estiramento) é proporcional a R, o aumento na pressão é muito lento. Um aumento mais significativo na pressão é devido ao ar engolido durante a refeição. Ar preso no estômago causa arroto ou vômito. Este ar preso é freqüentemente visível num raio - X do peito.

No intestino, o gás (flato) gerado por ações de bactérias aumenta a pressão. (O flato é produzido até nas pessoas mais cultas!) Fatores externos tais como cintos, faixas, voar, nadar afetam a pressão no intestino.

Uma válvula, o piloro, evita o fluxo de sangue voltar do intestino delgado para dentro do estômago. Ocasionalmente um bloqueio forma no intestino delgado ou grosso e a pressão se forma entre o bloqueio e o piloro; se esta pressão torna-se suficientemente grande para restringir o fluxo sangüíneo aos órgãos críticos, ela pode causar a morte. Intubação, a passagem de um tubo oco através do nariz, estômago e piloro, é geralmente usado para liberar a pressão. Se a intubação não funcionar é necessário liberar a pressão cirurgicamente. Entretanto, a pressão alta aumenta grandemente o risco de infeção porque os gases presos expandem rapidamente quando a incisão é feita. Este risco pode ser reduzido se a cirurgia é feita em uma sala de operação em que a pressão externa é maior que a pressão no intestino.

A pressão no sistema digestivo está acoplada aquela dos pulmões através do diafragma flexível que separa os dois sistemas de órgãos. Quando é necessário ou desejável aumentar a pressão no intestino, tal como durante a defecção, uma pessoa faz uma respiração profunda, prende os pulmões na glote (cordas vocais) e contrai os músculos abdominais.

6.5 PRESSÃO NO ESQUELETO

As maiores pressões no corpo são encontradas nas juntas dos ossos de sustentação do peso. Quando todo o peso está numa perna, tal como quando andamos, a pressão na junta do joelho pode ser mais que 10 atm! Se não fosse por uma área relativamente grande das juntas, a pressão seria mesmo maior (Figura 6.4). Desde que a pressão é a força por unidade de área, para uma dada força a pressão é reduzida quando a área é aumentada.

Juntas ósseas saudáveis são melhores lubrificadas que o melhor mancal feito pelo homem (ver Capítulo 3, p. 56). Se um lubrificante convencional fosse usado numa junta ele seria espremido e a junta logo estaria seca. Felizmente, o sistema é tal que quanto maior a pressão, melhor a lubrificação. A lubrificação das juntas está discutida com mais detalhes no Capítulo 3.

 

 

Os ossos tem-se adaptado de maneira a reduzir a pressão. Os ossos dos dedos são chatos ao invés de cilíndricos no lado de agarrar, e a força é espalhada sobre uma superfície maior; isto reduz a pressão nos tecidos sobre os ossos. (Fig. 6.5)

 

 

 

 

 

 

 

 

6.6 PRESSÃO NA BEXIGA URINÁRIA

 

Uma das mais notáveis pressões internas é a pressão na bexiga devido ao acumulo de urina. A Figura 6.6 mostra a curva típica pressão - volume para a bexiga, que estica quando o volume aumenta. Poder-se-ia ingenuamente esperar o aumento na pressão ser proporcional ao volume. Entretanto, para um dado aumento do raio R o volume aumenta com R3 enquanto a pressão cresce somente com R2. Esta relação largamente explica a inclinação relativamente baixa da maior parte da curva pressão - volume na Fig. 6.6. Para adultos, o volume máximo típico na bexiga antes de esvaziar é 500 ml. Em algumas pressões (~ 30 cm H2O) a micturição ("gotta go") reflexo ocorre. A resultante contração muscular bastante grande nas paredes da bexiga produz uma pressão momentânea de até 150 cm H2O. Garotos ocasionalmente fazem o "experimento" físico de medir esta pressão máxima diretamente observando quão alto eles podem urinar na parede de uma construção. A pressão normal de esvaziamento é bem baixa ( 20 a 40 cm H2O), mas para homens que sofrem de obstrução prostática da passagem urinária pode ser acima de 100 cm H2O.

A pressão na bexiga pode ser medida passando um cateter com um sensor de pressão no interior da bexiga através da passagem urinária (uretra). Em direta cistometria a pressão é medida por meio de uma agulha inserida através das paredes do abdômen diretamente na bexiga (Fig. 6.7). Esta técnica dá informação da função das válvulas fechadas (esfíncter) que não podem ser obtidas com a técnica do cateter 

 

A pressão da bexiga aumenta durante a tosse, esforços e permanecendo em pé. Durante a gravidez, o peso do feto sobre a bexiga aumenta a pressão da bexiga e causa freqüente micção. Uma situação estressante também pode produzir um aumento de pressão; estudando para exames freqüentemente resulta em muitas idas ao banheiro devido ao "nervosismo".

 

6.7 EFEITOS DA PRESSÃO DURANTE O MERGULHO

Desde que o corpo é composto principalmente de sólidos e líquidos , que são aproximadamente incompressíveis, as variações de pressão não afetam a maioria deles. Entretanto, existem cavidades gasosas no corpo onde variações repentinas de pressões podem produzir efeitos profundos . Para entender porque, devemos recordar a lei de Boyle: para uma quantidade fixada de gás numa temperatura fixada o produto da pressão absoluta e o volume é constante (PV = constante). Isto é, se a pressão absoluta é dobrada, o volume cai para a metade. Aplicações da lei de Boyle mergulhos subaquáticos são dados no Exemplo 6.2

Exemplo 6.2

Que volume de ar numa pressão atmosférica de 1,01 x 105 N/m2 é necessário para encher um tanque de respiração subaquática de 14,2 litros até uma pressão de 1,45 x 107 N/m2?

P1V1 = P2 V2

(1.01 x 105) (V1) = (1.45 x 107) (14.2)

V1 = 2 x 103 litros

Desde que no nível do mar um mergulhador usa cerca 14,2 litros de ar por minuto durante atividade moderada, o tanque em (a) esvaziaria em cerca de 144 minutos. Quanto tempo levaria o tanque para esvaziar numa profundidade de 10 m onde a pressão é aumentada por 1 atmosfera, assumindo a mesma razão volumétrica de uso ?

Desde que a pressão absoluta é duas vezes maior (2 atm), o tanque esvaziará em somente 72 min. (Entretanto, nenhum mergulhador consciente esvaziaria completamente este tanque durante um mergulho, pois, então, ele teria que voltar à superfície sem ar ).

O ouvido médio é uma cavidade de ar que existe dentro do corpo (Fig. 13.1). Para ser confortável a pressão no ouvido médio se igualaria a pressão do lado de fora do tímpano. Esta equalização é produzida pelo fluxo de ar através do tubo de Eustáquio, que está geralmente fechado exceto durante o engolir, a mastigação e o bocejo. Ao mergulhar, muitas pessoas tem dificuldade de obter equalização de pressão e sentem a pressão nos seus ouvidos. Um diferencial de pressão de 120 mm Hg através do tímpano, que pode ocorrer em cerca de 1,7 m de água, pode causar uma ruptura no tímpano. A ruptura pode ser séria desde que água fria no ouvido médio pode afetar o vestibular ou mecanismo de balanço e causar náusea e vertigem. Um método de equalização usado pelos mergulhadores é aumentar a pressão na boca segurando o nariz e tentando soprar para fora; quando a pressão se iguala o mergulhador pode freqüentemente "ouvir" em ambos ouvidos um "estalo".

Uma condição menos séria é o sinus squeeze. Durante um mergulho a pressão na cavidade sinus no crânio geralmente equaliza com a pressão na vizinhança. Se um mergulhador tem frio, a cavidade sinus pode tornar-se fechada e não igualar, causando dor. Um outro efeito da pressão é a dor durante e após comprimir os pequenos volumes de ar presos debaixo da obturação nos dentes. Eye squeeze pode ocorrer se um arregalar de olhos são usados em vez de uma careta; com uma careta o ar exalado dos pulmões aumenta a pressão sobre os olhos quando o descent é feito.

Se um mergulhador subaquático numa profundidade de 10 m segura sua respiração e vem para a superfície, o volume de ar expandirá por um fator de dois e assim causará um sério aumento de pressão nos pulmões. Se os pulmões estão cheios até a sua capacidade máxima, uma elevação de somente 1,2 m pode causar sérios prejuízos aos pulmões. Todos mergulhadores subaquáticos aprendem durante o treinamento evitar prender a respiração durante a elevação e expirar continuamente se uma elevação rápida é necessária.

A pressão nos pulmões em qualquer profundidade é maior que a pressão nos pulmões ao nível do mar. Isto significa que o ar nos pulmões é mais denso debaixo d’água e que as pressões parciais de todos os componentes do ar são proporcionalmente maiores. A pressão parcial maior de oxigênio causa mais moléculas de oxigênio serem transferidas para o sangue, e resulta no envenenamento por oxigênio se a pressão parcial do oxigênio ficar muito alta (Fig. 6.8). Geralmente o envenenamento por oxigênio ocorre quando a pressão parcial do oxigênio é cerca de 0,8 atm (quando a pressão absoluta do ar é cerca de 4 atm), ou numa profundidade de cerca de 30 m.

Respirando ar numa profundidade de 30 m é também prejudicial porque pode resultar num excesso de nitrogênio no sangue e tecidos. Isto pode produzir dois sérios problemas: necrose óssea de nitrogênio, que é um efeito de intoxicação (Fig. 6.8) e as cãimbras, ou

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

mal estar de descompressão, que é um problema da elevação. Enquanto o oxigênio é transportado principalmente por ação química aos glóbulos vermelhos, nitrogênio é dissolvido no sangue e tecidos. De acordo com a lei de Henry, a quantidade de gás que dissolverá num líquido é proporcional à pressão parcial do gás em contato com o líquido. Assim mais nitrogênio é dissolvido no sangue e de lá para os tecidos quando o mergulhador vai mais fundo desde que a pressão do ar e assim a pressão parcial do nitrogênio está aumentando. Quando o mergulhador sobe, o nitrogênio extra nos tecidos deve ser removido via sangue e pulmões. A remoção é um processo lento e se o mergulhador sobe bem rápido bolhas se formam nos tecidos e nas juntas. As cãimbras são bastante doloridas. Mergulhadores acometidos disto são geralmente recomprimidos numa câmara; a pressão na câmara é diminuída lentamente de modo que o nitrogênio possa ser removido dos tecidos via sangue e pulmões.

Outros problemas podem ocorrer durante a elevação. Uma das membranas que separam o ar e o sangue nos pulmões pode romper-se, permitindo o ar ir diretamente para o fluxo sangüíneo (embolia de ar). O ar pode também ficar preso sob a pele ao redor da base do pescoço ou no meio do peito. Ainda mais, pneumotórax (colapso dos pulmões) pode resultar se o ar ficar entre os pulmões e as paredes do peito (ver Capítulo 7). Estes problemas são melhores tratados por um médico.

6.8 TERAPIA COM OXIGÊNIO HIPERBÁRICO (HOT)

O corpo normalmente vive numa atmosfera que tem cerca de um quinto de oxigênio e quatro quintos de nitrogênio. Em algumas situações médicas é benéfico aumentar a proporção de oxigênio afim de prover mais oxigênio para os tecidos. Tendas de oxigênio são freqüentemente usadas para este propósito. Para aumentar bastante a quantidade de oxigênio, os engenheiros médicos construíram câmaras especiais de oxigênio de alta pressão (hiperbárica). Algumas são grandes o suficiente para um paciente, enquanto outras são tão grandes que servem como sala de cirurgia.

Gangrena gasosa é uma doença que matava mais da metade de suas vítimas antes que a terapia com oxigênio hiperbárico (HOT) fosse desenvolvida. Como o bacilo que causa a gangrena gasosa não pode sobreviver na presença do oxigênio, quase todos os pacientes de gangrena gasosa tratados com HOT são curados sem a necessidade de amputação – o melhor método anterior de tratamento.

Num envenenamento por monóxido de carbono os glóbulos vermelhos não podem carregar oxigênio para os tecidos porque o monóxido de carbono se fixa à hemoglobina nos lugares normalmente usados pelo oxigênio. A presença mesmo de poucas moléculas de monóxido de carbono num glóbulo vermelho reduz grandemente a habilidade da célula transportar oxigênio. Normalmente a quantidade de oxigênio dissolvida no sangue é cerca de 2% daquela levada pelos glóbulos vermelhos. Com o HOT , a pressão parcial do oxigênio pode ser aumentada por um fator de 15, permitindo bastante oxigênio ser dissolvido para preencher as necessidades do corpo. Muitas vítimas do envenenamento por monóxido de carbono são salvas com esta técnica.

Oxigênio hiperbárico tem sido usado em conjunção com radiação no tratamento do câncer. O paciente era colocado dentro de um tanque plástico transparente, e a radiação era dirigida através das paredes para o tumor. A teoria era que mais oxigênio tornaria as células fracamente oxigenadas resistentes às radiações no centro do tumor mais sensível aos danos da radiação. Esta técnica, que funcionou bem nos laboratórios nas células e ratos, não produziu resultados notadamente melhores que as técnicas presentes para os humanos. O uso de oxigênio pressurizado até 3 atm requer atendimento constante do médico e das enfermeiras. Os tímpanos dos pacientes foram intencionalmente furados para ajudar no processo de equalização das pressões, e o processo todo terminado cerca de 1 h enquanto os tratamentos convencionais levam cerca de 10 min.

Como muitos dos desenvolvimentos na medicina , a terapia com oxigênio hiperbárico trouxe novos problemas. A atmosfera de oxigênio corre muito mais de incendiar-se – três astronautas morreram numa atmosfera de oxigênio puro numa espaçonave U.S.A. durante teste preliminares em 1967. Um outro problema é o risco de ruptura do tanque devido às altas pressões utilizadas. Uma tal ruptura ocorreu no mínimo numa ocasião, prejudicando seriamente o paciente e o médico atendente.. Entretanto, perigos físicos como estes são geralmente mais fáceis de se avaliarem e se evitarem do que os perigos biológicos, que são usualmente muito pouco entendidos (p. ex., poluição do ar).

BIBLIOGRAFIA

Brummelkamp, W.H., Hyperbaric Oxygen Therapy in Clostrídial Infections, Type Welchii, Bohn, Haarlem, 1965.

Fundamentals of Hyperbaric Medicine, National Research Council Committee on Hyperbaric Oxygenation, Publication 1298, National Academy of Sciences – National Research Council, Washington, D.C., 1966.

New Science of Skin and Scuba Diving, 4th revised ed., Council for National Cooperation in Aquatics, Associated Press, New York, 1974.

QUESTÕES DE REVISÃO

O que é pressão negativa?

Calcule a pressão em milímetros de mercúrio que é igual a uma pressão de 20 cm H2O.

O que causa as cãimbras? Como uma vítima com cãimbra é tratada?

Assuma que você é um mergulhador se preparando para um mergulho de 10 m em água salgada.
a. Qual pressão absoluta e qual a pressão manométrica que você experimentará?

b. Normalmente seus pulmões tem um volume disponível de 6 litros. O que acontecerá com o volume

c. Suponha que você não possa equalizar a pressão no seu ouvido médio. O que acontecerá durante o mergulho?

A pressão venosa é tipicamente cerca de 5 mm Hg. Descreva um método para medir esta pressão.

Pressão positiva é usada na transfusão de sangue. Suponha um recipiente é colocado a 1 m acima de uma veia com uma pressão venosa de 2 mm Hg; se a densidade do sangue é 1.04 g/cm3, qual é a pressão líquida atuando para transferir o sangue para a veia?

Suponha que você é um mergulhador de grandes profundidades se preparando para um mergulho de 30 m.
A. Qual a pressão absoluta e a pressão manométrica que você experimentaria?
B. Qual seria sua razão de consumo de ar comparada aquela no nível do mar?

Pressão negativa ou sucção é freqüentemente usada para drenar cavidades do corpo. Num arranjo de drenagem para região gastrointestinal mostrada, a pressão negativa é fornecida por uma coleção de garrafa é 10 mm Hg e o extremo superior do tubo está a 37 cm acima do extremo do tubo no corpo. Encontre a pressão negativa no extremo inferior do tubo.

 

 

 

 

 

 

 

Pressão atmosférica é devida ao peso do ar acima de nós. A densidade de ar é 1.3 x 10-3 g/cm3. Qual é o peso em dinas de 1 cm3 de ar? Se este peso fosse espalhado sobre 1 cm2 qual seria a pressão? Que fração de 1 atm ela seria?

Usando a densidade do ar dada na questão de revisão 9, calcule a diferença de pressão em dinas por centímetro quadrado e em milímetros de mercúrio entre o fundo e o topo de uma construção de 30 m de altura ( 8 pavimentos).